Uma princesa nos Campos Gerais

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Texto escrito por Jessica Allana Grossi

Audiodescrição por Thamyres Gomes dos Santos

Imagens por Jessica Allana Grossi

Às vezes eu me pergunto como era viver antigamente. Na escola, sempre fui apaixonada por literatura e por história, mas as aulas de português eram um verdadeiro tormento. Lá estava eu, aprendendo sobre escritores importantes como José de Alencar, Gonçalves Dias, Castro Alves, Graciliano Ramos … Mas eles eram tão distantes. Estavam lá nos grandes centros. 

Um dos nossos exemplos citados acima, inclusive, viveu no mesmo período que Anita Philipovsky. Graciliano Ramos nasceu em 1892, quando Anita já tinha 6 anos! Não me entendam mal, não estou desmerecendo o autor do livro Vidas Secas, e sim me perguntando porque nunca ouvi falar de Anita Philipovsky nas aulas de literatura no ensino médio, assim como ouvi falar do Graciliano Ramos. 

Para minha sorte, Luísa Cristina dos Santos, a escritora e pesquisadora autora do livro Anita Philipovsky: a princesa dos campos, respondeu uma das minhas perguntas ao dizer, na página 18 que “por motivos mitológicos, antropológicos, sociológicos e históricos, a mulher foi excluída do mundo da escrita, só podendo introduzir seu nome na história através de arestas e frestas que conseguiu abrir através de seu aprendizado de ler e escrever em conventos ou por intermédio de professores particulares.”

Isso explica porque eu não tive conhecimento de uma escritora, nascida na minha cidade que publicou textos por 47 anos, nos meus tempos de estudante. Mas eu ainda tenho outra pergunta, como era viver antigamente? 

Em seus textos, Anita nos conta, de uma forma muito poética, engajada e política como era viver antigamente nos Campos Gerais. Os textos foram recuperados por Luísa dentro do projeto de pesquisa “Da exclusão à re-visão: escritoras brasileiras do século XIX: antologia de textos representativos”, coordenado pela Profa. Dra. Zahidé Lupinacci Muzart da Universidade de Santa Catarina (UFSC), apoiado pelo CNPq. 

A autora ficou responsável por investigar uma série de escritoras paranaenses, o que deu origem a este livro. No processo de pesquisa, Luísa se deparou com uma escritora que destruiu deliberadamente boa parte da sua produção literária “muito provavelmente, movida pela indiferença das pessoas à sua obra”, como está relatado na página 40. 

Os 43 textos, recuperados por Luísa estão posicionados cronologicamente no livro, exceto o Os poentes da minha terra que é o texto mais conhecido. Houve todo um cuidado da equipe de editoração e da autora de preservarem a ortografia e as memórias da época. A produção contou apenas com um cotejo com dicionários da época para fins de editoração. 

“Sentimentais… muito sentimentais, 

Estes poentes, ás vezes, são assim. 

E ás vezes.. ah! são exaltados! 

De cariz violenta. Rubros! De tragédia!

Esbrazeados… 

São de chamas!..” p.71 Os poentes da minha terra de Anita Philipowsky

Os textos falam sobre sua cidade natal, Ponta Grossa, e  lugares que viajou. O projeto gráfico do livro é muito bonito e relembra os livros antigos. Esta obra faz parte da série Casa Paranista e é possível perceber que houve muita pesquisa envolvida acerca da escritora Anita que foi contista, poeta e cronista de 1910 a 1930. Além das publicações em jornais, também temos acesso a anotações pessoais de uma mulher daquela época, e isso, não tem valor estimável como registro histórico e também como valor histórico.  

Ficha técnica

Título: Anita Philipovsky: a princesa dos campos

Autor(a): Luísa Cristina dos Santos

Editora: Editora UEPG 

Ano de publicação: 2002 

Páginas: 208 

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