Tudo pode ser roubado, até mesmo um final feliz

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Texto escrito por Larissa Hofbauer

Audiodescrição por Thamyres Gomes dos Santos

Imagens por Larissa Hofbauer

Finalizar o Livro da Giovana Madalosso me trouxe alguns questionamentos que são meio óbvios para a maioria, mas parar para pensar, questionar e refletir sobre essas questões, mostram que a vida é frágil, movida por seres mais frágeis ainda, cheios de medos, dúvidas, dificuldades e questões que refletem no que nos tornamos. Isso reflete na personagem principal, que por curiosidade aos leitores, não possui nome. Ela é uma garçonete, que também possui um trabalho paralelo afanando coisas digamos, bem carinhas. Ela possui uma amiga trans chamada Sebastiana e um comparsa chamado Biel. 

Biel, é uma incógnita, sabemos o seu suposto nome, Biel, sabemos que é de meia idade. Mas ele é um excelente larápio, escorregadio, possui lábia e não dá grandes detalhes do seu verdadeiro eu.

Os personagens, mesmo que passageiros, possuem a sua complexidade. Uma das vítimas da garçonete possui câncer. Essa mulher não sabe, mas a nossa protagonista a seduz somente para roubar. Mesmo a moça mostrando as suas vulnerabilidades e fragilidades no momento, a garçonete faz seu serviço.

E tantos outros personagens que passam pelos olhos e mãos da garçonete tem, muitas das vezes, seus sonhos pausados, seus medos aguçados, suas inseguranças apontadas.

Na verdade, ao meu ver, esse livro mostra a imperfeição do viver e as singularidades do ser humano. O que escolhemos ser, seguir, mostra não só o que nos tornamos como seres humanos para as outras pessoas, mas mostra que somos somente um recorte do que nos tornamos, pois muita coisa foi deixada para trás para sermos o que somos hoje, pessoas as vezes quebradas, com cicatrizes, que fazem escolhas, certas ou erradas, dentro ou fora da lei. E é isso, não há maneira certa para se viver, só há o viver. Não entrarei na questão do que é ou não moral. Pois agredir uma pessoa trans não é moral, traficar não é moral, roubar não é moral. Mas ouvir alguém que precisa, ser amiga, estar lá quando o outro precisa é ser um ser humano regado do que é ser moral. Então eu iniciar esse texto falando que a personagem é uma ladra e as pessoas resumirem ela a isso não faz sentido, pois ela está nos dois lados da moeda. Nós humanos somos complexos demais. 

Não posso deixar de salientar como as relações dos personagens centrais são abordadas neste livro. Passageiras é a palavra correta. Uma hora tudo está ali, e no segundo seguinte tudo já acabou. Minhas palavras fazem parecer que o livro é triste, mas muitíssimo pelo contrário, ele tem um toque de humor, uma ironia, que só lendo para entender.

Esse é o primeiro livro de romance da Giovana Madalosso que já estreia com os dois pés na porta, escrita fluida, sem rebusqueios, mas confesso que tive que procurar produtos, nomes de perfumes entre outros artefatos que são citados no google. Estão fora da minha realidade.  A capa é cheia de elementos. Lembro de quando o livro chegou aqui em casa, pensei em ler ele por primeiro, porque pensei “esse livro vai ser divertido/ interessante”, pois a capa me chamou a atenção pelo número de coisas que está nela, tanto externa quanto internamente. 

Essa é minha última resenha (até o momento) e este livro vale 1000% a pena de você ler. Não tem como se arrepender!

Ficha Técnica

Título: Tudo pode ser roubado

Autor: Giovana Madalosso

Editora: Todavia

Ano de publicação: 2018

Páginas: 192 páginas 

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